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Relacionamento virtuais, naturais e outros mais...

Um grande amigo vai casar. Há três meses o encontrei e não havia nem o rascunho de uma namorada, que dirá o desenho perfeito de um vestido ou de uma noiva. Gravidez? Nada... Isso é coisa do passado... Meu amigo me deu a notícia, já fazendo o convite para o momento em que ele dirá sim para uma moça “capturada” na internet. Isso mesmo, internet. Não, não é um bar moderninho e cibernético, muito menos um evento sem nome criativo de informática, locais onde a atração pode ser direcionada, o andar analisado e um “oi” pronunci Leia mais

Esse texto foi enviado por
Nuzzi

em 08/10/2008 09:54:54 e tornou-se
popular em 09/10/2008 10:47:47
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Confesso que fiquei impressionado. Existem oito bilhões de pessoas no mundo, possibilidades de um encontro nas esquinas, num restaurante, nas festas de empresa, e as pessoas, sem cerimônias, estão apontando seus pares na tela de um computador. Isso é possível? Ainda que você conheça alguém no elevador e apele para a meteorologia para puxar assunto, acho que faz mais sentido estar alí, observando trejeitos, sentindo o cheiro, medindo altura.
Bom, mas na contramão desse meu conceito nascido nos áureos tempos da Caverna do Dragão, também sei de pessoas que conviveram durante anos, se conheceram através de amigos, ou no trabalho, namoraram páscoas e reveillons afora, e o altar não foi o ponto de partida para votos e muito menos a largada para a eternidade.

Tentando entender como funcionava o amor “via http://”, vi surgir uma pauta pra meu árduo trabalho. Me cadastrei num site. Coloquei foto minha mesmo, opiniões sinceras, mas menti o nome. Fiz uma homenagem singela a uma música do João Bosco. Não, não foi Papel Marché. Até porque, por puro e tolo preconceito, naquele momento eu me sentia bem cara de pau. Mas, vamos lá... No primeiro contato que eu recebi de alguém cadastrado, minha nossa. Atenção para o apelido da pessoa: “todaboa”. Ela mandou uma “piscadinha virtual”. Ou seja, uma seqüência de informação difícil de absorver rápido. Enfim, fui ver o bendito perfil do menina. Já na apresentação, outra surpresa. Frase de chamada: “Cerá que voçê é o que eu procuro?”... Gente, mesmo se eu estivesse mesmo procurando, decididamente não, a “todaboa” não seria o que eu procuro. Não foi um julgamento contra quem não usa o português correto, mas péra lá, como é que alguém domina a tecnologia sem dar conta do próprio idioma, gramática e o escambau?

Enfim, passadas as “boas-vindas” foneticamente corretas mas sem nenhum respaldo lingüístico, recebi várias outras mensagens e piscadinhas viruais. Algumas hilárias, outras carentes demais, houve também as desesperadas. Penso eu que esses sites têm um limite de aproximação, porque se rolassem possibilidades mais íntimas, em vez de placas e chips, os computadores teriam que ter entrada para um diafragma.

Mas vamos falar das coisas boas, das abordagens inteligentes, das possibilidades de conhecer pessoas de todos os cantos do mundo, de gente que está à procura de uma história verdadeira e que não consegue absorver a oferta dos centros urbanos ou da mesmice do interior.

Na noite, encontros são, na maioria, promovidos por bebidas, música, abadás e beijos sem compromisso. É um culto ao oculto. Conhecer a fundo dá preguiça. E com tanta infantilidade, faz sentido que o mergulho seja no rasinho mesmo. Se a mulher ou o cara tiverem uma “embalagem” bacana, dançar no ritmo e não perguntarem “oi, você vem sempre aqui?”, tá valendo. A semelhança com o mundo virtual é que, assim como na noite, na internet pode mentir o nome também, sem problemas. Uma proteção, talvez, ou um mistério sem pistas disponíveis e que também não vai mudar nada se houver interesse. Mas, pasmem, as pessoas, na maciça maioria, são mais criteriosas no mundo virtual.

Penso, de forma careta, assumo, que beijo na boca é quando decidimos dividir nossa respiração com alguém. Não saio catequisando ninguém com minhas filosofias de vida, mas essa moda permanente do “ficar”, “ver qual é?”, “sair sem voltar pra casa no 0 a 0”, está sem limite. A sensação do dia seguinte não deve ser tão boa. Ou será que a modernidade é assim e preciso me conformar? Acredito que não. E mesmo que fosse, sou mais o meu time jogando do que perder tempo com coisas banais.

Eu fiz pesquisa de campo, antes. Sentei ao lado de um casal num bar, na Barra da Tijuca, no Rio. O diálogo era surpreendente. Atenção. A moça, de 20 e poucos anos: “Caraca, muito cheio aqui”. O rapaz, também na mesma faixa etária: “Tipo, é sempre assim”. A moça: “Pensei que você tava olhando pra minha amiga”. O rapaz: “Pô, eu tava, mas aí vi você, gata”. A moça e o moço se beijaram. Olhei aquilo e pensei: perdi alguma coisa, claro que perdi. Eles sabem o nome um do outro, o que fazem, se trabalham, se gostam de cachorro, cavalo ou gaivota... Não é possível. Fim do beijo. A moça: “Vou ao banheiro”. O moço: “valeu!”. Hã? Ainda tentando entender o que exatamente tinha valido, saí atrás da menina. Ela a caminho do banheiro com uma amiga e mandou “fiquei com um gatinho”, como quem tinha chegado ao pódio depois de nadar 2 metros rasos, nem um centímetro a mais... A amiga riu. E a moça, que até agora eu não sei se gosta de gaivota, passou batom. Na hora, o dito popular “lavou, tá novo”, deu lugar a outro “passou batom, nada aconteceu, que venha o próximo”.

A menina era bonita, loirinha, graciosa, semblante de boa filha, família legal. Por que cargas d’água ela deixou um marmanjo desconhecido colocar a língua nos lábios dela? Que desejo vazio é esse que move as pessoas? O céu da boca é o limite. Que se danem as estrelas lá de cima, a via-láctea, o frio na barriga, as mãos suadas e o romantismo da espera. Na economia do tempo, gastam-se as etapas.

Nenhuma desilusão. Fiz constatações e percebi que não, não é assim. Não para todos. Nos sites de relacionamento acontece o extremo. O currículo emocional precisa ser preenchido, de fio a pavio. Tem pergunta pra tudo. Tem até um teste de personalidade para analisar compatibilidades. Incrível. Mas igualmente cansativo. Aconselho que seja preenchido parcialmente, porque surpresas são sempre bem-vindas.

Das mensagens que recebi, pouco mais de 200, respondi três. Não por causa das fotos, mas por precisar de algumas personagens. Duas delas já tinham sido casadas, viajado o mundo e pareciam estar mesmo sem paciência para o acaso. Apelaram para o destino. Sim, muitos acreditam que o destino esteja alí, atrás do monitor.

Troquei dois emails. Fui gentil e sincero, sem seduzir ou marcar encontros. Elas explicaram como funcionava e fiquei até comovido com alguns depoimentos. Uma delas tinha namorado um cara durante três anos, revelando que o conheceu na internet. A outra, mais exigente, parecia ter medo de se dececpcionar ao vivo. Mantinha um ar de mistério, acho que pra sustentar a carência ou a rejeição de relações passadas, vai saber... Mas tinha receio de sair da frente do computador e ver a vida lá fora. Como sou do Marketing - e não analista - só assimilei a idéia, sem questioná-la.

A terceira foi intrigante. Nova, bonita, jovem, médica, parecia bem sucedida. Perguntei o motivo de estar alí, e ela falou que era um escape. Reproduziu situações parecidas com a que eu citei do casal que nunca vai saber o gosto pelas gaivotas no bar, e disse que estava cansada. Eu, num momento machista às avessas, alimentei a possibilidade de que os rompantes da noite não eram um comportamento restritamente masculino, uma vez que as mulheres pareciam ter chutado o balde, confundiram evolução, jornadas e a conquista no mercado de trabalho com promiscuidade, acesso fácil. Ela disse que achava isso também, mas que não se tratava de um julgamento. A opção dela de criar um perfil e buscar uma namorado num site era por acreditar que as pessoas se expressavam melhor por escrito, salvo os não muito alfabetizados. Ok, mas isso foi um trauma meu. Voltando... Segundo ela, para uma homem se exibir não basta ter um corpo  ou um sorriso de “pode chegar”. Foi o último email. Não respondi mais. Foi o suficiente para tirar conclusões, sem pretensões de estar certo ou errado. E aqui vão elas, a quem interessar possa...

Penso que o mundo está abastado de casais felizes, infelizes, amores frustrados, romances perfeitos, paixões platônicas, gente bem resolvida, pessoas sem vontade de nada... De verdade? Basta um encontro. Simplesmente acontece. Virtualmente ou pessoalmente. Ou os dois. É claro que a sedução, o cheiro, a voz, o jeito de uma pessoa e tudo isso que estimula a construção dos sonhos a dois podem preceder um diálogo inteligente, com senso de humor e a garantia, ao menos, de uma possibilidade menos nociva e que ocupe mais espaço nas lembranças do dia seguinte.

Ainda assim, conhecer alguém é como ler uma sinopse de um filme. Pode ser curta, não dizer nada, ou explicar quase tudo. Mas o final, por mais previsível, só vendo mesmo. Importante é saber que em se tratando de amor, amizades e relacionamentos sólidos, não há espaço para ensaios. A vida nos exige estréias... dramáticas, cômicas, e até sem roteiro, às vezes... Mas ao contrário de personagens, o papel de cada um não pode ser interpretado, nem influenciado; a autenticidade deve marcar cada cena, a inspiração precisa ser individual, o improviso é único... Continuamente, aplausos também não precisam ser coletivos. O silêncio, a quietude e a vontade de acertar dão à consciência e à alma o reconhecimento necessário para avançar... E ao encontrar alguém para partilhar o palco ou a tela, do computador inclusive, as palmas fortes, ou mesmo um simples encontro das mãos, pode seguir o compasso do coração até virar uma trilha sonora... E neste cenário, o céu da boca, definitivamente, não será o limite.

5 comentários | quem votou [52] | enviar por e-mail

escrito por danifigueiredo + Amigo
Site: http://andarsemrumo.blogspot.com/
42 dias 3 horas 38 minutos atrás
[Responder]
1 voto spam
Adorei teu texto! Os relacionamentos são assim mesmo. Acho difícil conhecer o alguém ideal em um barzinho ou lugar parecido, mas não é impossível. O ideal mesmo é conviver com a pessoa primeiro, ou em um cursinho, ou no trabalho. Quanto ao computador, nunca levo a sério, mas não deixa de ser divertido. Conheço pelo menos umas três pessoas que casaram com os namorados (as) virtuais, e estão felizes. Sabe aquela música? Deixa a vida me levar... Pois então, se pensarmos demais vamos ficar sozinhos sempre. Beijos.
escrito por Nuzzi + Amigo
42 dias 3 horas 7 minutos atrás
[Responder]
Olá Dani, tudo bem !

Fico feliz que tenha gostado e entendido , é assim mesmo , vamos em frente para não ficarmos sozinhos.


Beijos.
escrito por MariDourado + Amigo
Site: http://www.umaguriaai.blogspot.com
42 dias 3 horas 31 minutos atrás
[Responder]
Meu pai casou pela 5 vez.. e foi a 2 esposa que ele encontrou na internet. A primeira esposa internética durou 8 anos... Melhor q nada né? hehehe
Tbm já namorei caras da internet e não foram de todo mal!

Bjos e boa semana!
escrito por Nuzzi + Amigo
42 dias 3 horas 4 minutos atrás
[Responder]
Olá Mari, bom dia !

Que legal , que as coisas para você funcione assim , é um alento para quem tem algum tipo de receio, mas tome muito cuidado.


Beijos.
escrito por ruleandson + Amigo
Site: http://www.eusoqueriaumcafe.blogpot.com
41 dias 22 horas 52 minutos atrás
[Responder]
Muito legal! Não desistiremos jamais dos amores reais! Depois leia a minha crônica sobre amores virtuais: http://eusoqueriaumcafe.blogspot.com/2008/07/software-do-amor.html Beijos!




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