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Para onde vai o dinheiro destinado ao Esporte?

O destino das verbas para o esporte no Brasil: para onde vão e como é a realidade do incentivo esportivo no país. Leia mais

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Uma coisa que me entristece e irrita bastante é o fato de o Brasil investir muito em poucas modalidades. Quais são? Futebol e vôlei, praticamente. Os clubes de vôlei têm nomes dos patrocinadores, o que é bem desagradável, afinal, é estranho torcer pelo Santander ou para o Rexona, concorda? De qualquer forma, se não fosse por essas empresas o vôlei estaria no mesmo nível da natação ou atletismo: jogado às traças.

Radical? Nem tanto. Basta saber que na cidade de São Paulo, a mais rica do país, não existe hoje uma só pista capaz de atender aos padrões de treinamento do atletismo, por exemplo. Os atletas só são lembrados quando estamos na época da Olimpíada ou Jogos Pan-Americanos. Quando perdem, a gente diz que fizeram corpo mole, que amarelaram, etc. Será?

Vamos então ver os dados de como é gasto o dinheiro repassado às confederações. Aí talvez mudemos um pouco nossa opinião ou pelo menos, sabemos de quem cobrar explicações.

Para incentivar e investir na formação e na manutenção dos nossos esportistas foi criada uma lei. A “Lei Agnelo/Piva”. (Opa, não pensem que tenho algo com isso, o sobrenome é o mesmo, mas não sei de nada!)

O que seria a Lei Piva?

É uma lei sancionada em 16 de julho de 2001, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso que estabeleceu o seguinte: 2% da arrecadação bruta de todas as loterias federais do país serão repassados ao Comitê Olímpico Brasileiro e ao Comitê Paraolímpico Brasileiro. Desse total dos recursos repassados, 85% são para o COB e 15%, para o CPB. Idéia louvável, certo? Seria, se fosse FISCALIZADA e aplicada de forma correta. Não preciso esconder que não sou nenhum pouco fã dos dirigentes que comandam o esporte no Brasil. Tanto no COB quanto na CBF, impera uma política em que o esporte é o último beneficiado. Mas enfim, a CBF não se enquadra na Lei Piva e é sobre isso que esse artigo se propõe.

Em recente edição do jornal Folha de São Paulo, descobri que a situação está bem pior do que imaginava. Somente para se manter, ou seja, custear a folha salarial e bancar eventos, viagens em classe executiva, entre outros luxos — segundo eles, em prol do esporte — o COB consome um quarto da Lei Piva. Essas passagens e diárias em hotéis são para os cartolas, que fique bem claro. Os atletas? Viajam em classe econômica e só. Não recebem mais nada.

Nos últimos quatro anos, a entidade consumiu R$ 68,1 milhões. Nenhum centavo foi gasto pelo COB com a manutenção de atletas e só uma fatia foi para a preparação técnica — que, segundo a entidade, é responsabilidade das confederações.

Por instrução normativa do COB, por ordem do regulamento da Lei Piva, as confederações não podem gastar mais que entre 10% e 20% com sua manutenção.Sem restrição, além da manutenção, o que o COB aplicou em itens, como a assembléia da Odepa, em 2005, reunião de cartolas no Rio de Janeiro — que o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, pretendia agradar para campanha à sede olímpica — chegou ao custo total de R$ 2,2 milhões. Mais que o dobro do valor gasto anualmente com o prêmio Brasil Olímpico, festa bancada pelo comitê para homenagear esportistas. Outros R$ 900 mil foram gastos no ano passado com a candidatura do Rio-2016, valor que com certeza deve aumentar neste ano.

O agrado a cartolas não se resume a reuniões com estrangeiros. Os dirigentes do COB também são bem tratados pela verba de manutenção. Por instrução normativa da entidade, todos os cartolas do comitê têm direito, em trechos acima de oito horas, a viajar de classe executiva. Estrela olímpica, Maurren Maggi voltou de Pequim na classe econômica. Dirigentes ainda têm direito a diárias (US$ 100) dadas pelo COB. Nenhum atleta, mesmo em Jogos Olímpicos, recebe dinheiro do comitê para se manter — algumas confederações pagam diárias.

O COB prevê aumentar ainda mais o número de funcionários  — hoje conta com 123, o que entende ser "ainda insuficiente" para atender à demanda dos quadros esportivos nacionais. Perfeito. Então o COB diz que os atletas são de responsabilidade das Confederações. Sabe quanto elas investem nos atletas? Em 2007, pelo relatório do COB, suas filiadas usaram só 8,7% do dinheiro da Lei Piva na manutenção dos esportistas, ou seja, para ajudas de custo. A prioridade, como sua matriz (COB), é a organização e participação em eventos esportivos, que juntas consomem 42,3% do recurso repassado às entidades.

Para terminar, fica a cargo de cada um responder a pergunta título: Para onde vai o dinheiro destinado ao Esporte?

Rodrigo Piva - editor do Curiosando 


12 comentários | quem votou [63] | enviar por e-mail

escrito por joaomagalhaes + Amigo
Site: http://www.reporternet.jor.br
71 dias 8 horas 16 minutos atrás
[Responder]
1 voto spam
Pst pertinenete e bem escrito. Agora, o dinheiro destinado ao Esporte, certamente vai os bolsos dos dirigentes e políticos corruptos. Abs
escrito por pharispoa + Amigo
Site: http://www.pharisfaces.blogspot.com
71 dias 6 horas 13 minutos atrás
[Responder]
Enquanto pensarmos pequeno e desviarmos o dinheiro para seus fins específicos, vamos fazer de cada medalha uma conquista heróica.

Tanta ineficiência é cobrada diariamente com a falta de recursos para os atletas treinarem, se qualificarem.

Parabéns

Abraço

Geraldo
escrito por blogcomunicação + Amigo
Site: http://www.blogdacomunicacao.com.br
71 dias 2 horas 59 minutos atrás
[Responder]
Perfeito Rodrigo. Esse é o lado sujo do esporte brasileiro, que não é mostrado para todo mundo. Muita gente ficou malhando os atletas, considerando um fracasso a campanha olímpica em Pequim. Eu não achei um fracasso, achei que poderia ter sido melhor. Tenho pena dos atletas. Cubro esportes olímpicos há 3 anos e sei como é a estrutra que eles têm para treinar e as dificuldades financeiras. E eles levam a culpa pelo fracasso e não nossos dirigentes, esses sim, verdadeiros culpado.

E depois querem nosso apoio ao Rio-2016. Brincadeira não? Enquanto essa cartolagem atual não sair de cena, continuaremos a ter bases de treinamento precárias e pouco dinheiro investido nas modalidades olímpicas. E boa parte do dinheiro (25% no caso) vai acabar no bolso deles, em suas viagens e comotivas pelo mundo a fora.

A maior palhaçada que vi foi a pista de atletismo construída no Engenhão para o Pan-2007 (que não deixou um legado). Ela custou uma grana violenta aos cofres públicos. Material caro e de primeira linha, que não é utilizada por corredores desde o Para-pan. Há mais de 1 ano atrás, e desde então nenhum evento oficial foi disputado. Quem a utiliza são apenas pelos jogadores de futebol durante os aquecimentos das partidas. Uma vergonha.

Essa visão dos cartolas precisa mudar. E urgentemente.
escrito por joaoassis + Amigo
Site: http://assisj29.blogspot.com
71 dias 46 minutos atrás
[Responder]
O fato que mais levanta discussão é que a crítica recai toda sobre o governo,como se não tivessemos nenhuma verba injetada no esporte,oque não é verdade,afinal cada medalha consumiu 80 milhões de reais,oque temos sim é uma quadrilha comandando o COB,mas também devemos destacar que desde que eu era criança ouço criticas sobre esse Artur Nusmman,mas ele continua lá firme e forte,ninguem mexe com ele,o governo não pode intervir,pois não vivemos numa ditadura,acredito que a inciativa tem que partir de dentro,dos mais interessados,começando pela investigação sobre os salarios e o nepotismo ja encontrariamos motivos de sobra para mudanças.
Um abraço.
escrito por BLOG DO EDNAN + Amigo
Site: http://www.newblog-ed.blogspot.com
71 dias 16 minutos atrás
[Responder]
É tudo uma questão de politica, e quando se fala em politica lembra o que?

CORRUPÇÃO, APROPRIAÇÃO INDÉBITA, ETC, ETC, ETC...

E a coisa esta de tal forma, que ninguém esconda mais nada, e quando quer esconder, guarda dentro da cueca.

Quer achar um corrupto?
Escolha qualquer um politico independente de partido, estando ele eleito ou apenas exercendo algum cargo como os cartolas em geral, pronto, pegou, é só investigar para achar provas para incrimina-lo, sei bem que não vai adiantar nada.
escrito por danifurlan + Amigo
Site: http://www.artigosbrasil.net
70 dias 23 horas 32 minutos atrás
[Responder]
Pois é... como o caso do César Cielo, que o pai teve que se sacrificar para bancar seu treinamento nos EUA. Imagine se ficasse esperando alguma verba do COB... ele nunca teria chegado onde chegou. Agora imaginem quantos talentos escondidos, afinal nem todos tem a possibilidade de ser totalmente financiado pela famìlia (e nem é justo).
escrito por antunesh + Amigo
Site: http://falaseriobrasil.com
70 dias 22 horas 51 minutos atrás
[Responder]
è isto que nos entristece tanto..
escrito por japublicidade + Amigo
Site: http://www.japublicidade.com/
70 dias 22 horas 19 minutos atrás
[Responder]
heheheh para o meu bolso!
escrito por Catarino + Amigo
Site: http://www.blogdocatarino.com
70 dias 20 horas 38 minutos atrás
[Responder]
No Brasil criam leis e mais leis e tudo serve para desvio e não é só nos esporte.
escrito por Meglee + Amigo
Site: http://procuromeublog.blogspot.com/
70 dias 14 horas 52 minutos atrás
[Responder]
Todos sabemos para onde vai o dinheiro, agora resta perguntar de que forma podemos interferir no processo, podemos começar aqui mesmo criando um manifesto para uma CPI da COB ou interdição das contas, algo que o valha; acredito que os mais de 7 mil usuários, somados aos amigos que todos possuem poderá dar uma grande impactada nessa mau caratice toda. Você escreveu um excelente e necessário artigo, não só te parabenizo, como incentivo que você crie o manifesto, afinal, você pode ser o Piva fazendo a coisa certa! um grande e afetuoso abraço!
escrito por TicoEsteves + Amigo
Site: http://novonarede.blogspot.com
70 dias 14 horas 17 minutos atrás
[Responder]
Ou seja, no fim das contas quem dança? O pobre do pai e da mãe que não podem proporcionar ao filho um treinamento adequado (como bem disse a Dani) e o pobre do pobre mesmo, que se não sabe jogar futebol, nem sonhar em viver do esporte pode!

Parabéns pelo texto Rodrigo! Um abraço!




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