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Obras de Santa Engrácia

A curiosa história por trás das obras da igreja de Santa Engrácia em Lisboa, cuja construção levou quatro séculos para ser concluída. Leia mais

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Em Portugal é muito comum utilizar-se a expressão popular "... é como as obras de Santa Engrácia" para designar qualquer tarefa que depois de iniciada, não tem fim à vista. Qual a sua origem?

 

 

Igreja de Santa Engrácia
Igreja de Santa Engrácia, Lisboa

Diz o povo que Simão Pires, um cristão novo, cavalgava todos os dias até ao convento de Santa Clara para se encontrar às escondidas com Violante. A jovem tinha sido feita noviça à força por vontade do seu pai fidalgo que não estava de acordo com o seu amor. Um dia, Simão pediu à sua amada para fugir com ele, dando-lhe um dia para decidir.

 

No dia seguinte, Simão foi acordado pelos homens do rei que o vinham prender, acusando-o do roubo das relíquias da igreja de Santa Engrácia que ficava perto do convento. Para não prejudicar Violante, Simão não revelou a razão por que tinha sido visto no local. Apesar de invocar repetidamente a sua inocência, foi preso e condenado à morte na fogueira que se realizaria junto da nova igreja de Santa Engrácia, cujas obras já tinham começado.

 

Quando as labaredas envolveram o corpo de Simão, este gritou que era tão certo morrer inocente como as obras nunca mais acabarem. Os anos passaram e a freira Violante foi um dia chamada a assistir aos últimos momentos de um ladrão que tinha pedido a sua presença. Revelou-lhe que tinha sido ele o ladrão das relíquias e, sabendo da relação secreta dos jovens, tinha incriminado Simão. Pedia-lhe agora o perdão que Violante lhe concedeu.

 

Entretanto, um facto singular acontecia: as obras da igreja, iniciadas à época da execução de Simão, pareciam nunca mais ter fim. De tal forma que o povo se habitou a comparar tudo aquilo que não mais acaba às obras de Santa Engrácia.

 

Lenda ou não, a verdade é que a Igreja de Santa Engrácia, em Lisboa, cuja construção começou no séc. XVI, só quatro séculos depois, em 1966, foi dada por concluída. O templo passou a ter a função de Panteão Nacional em 1916 e aí se encontram sepultadas figuras ilustres portuguesas: escritores como Almeida Garrett e Aquilino Ribeiro, políticos como Sidónio Pais e Humberto Delgado e também a cantora Amália Rodrigues, entre muitos outros.

Maria de Lurdes Leitão - editora do Blog da Milouska


2 comentários | quem votou [21] | enviar por e-mail

escrito por Mikasmi1 + Amigo
Site: http://aprendemos-mikasmi.blogspot.com
70 dias 21 minutos atrás
[Responder]
Muito interessante. Desconhecia a origem da expressão.

Aqui aprendemos sempre alguma coisa.

Parabéns
Emilia
escrito por TicoEsteves + Amigo
Site: http://novonarede.blogspot.com
69 dias 9 horas 24 minutos atrás
[Responder]
Lenda ou não... o que vale é a história (triste, mas bonita).
Gostei muito do texto, um abraço!




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